Tribanco aumenta lucro em 2016 e vê início de melhora no varejo

Ligado ao grupo atacadista Martins, que atende a mais de 370 mil varejistas em todo o país, o Tribanco possui uma visão privilegiada da chamada economia real. E depois de acompanhar por quase três anos os clientes adiarem planos de investimento e substituírem mercadorias nas prateleiras por itens de menor valor, o presidente do banco, João Ayres Rabello, começou enfim a enxergar os primeiros sinais de retomada neste início de 2017.

“Ainda não é um volume expressivo, mas já temos contratação de crédito para adequação de lojas, em linhas que estavam praticamente paradas”, afirma. Mesmo com a crise, o lucro do banco com sede em Uberlândia (MG) cresceu 21,8% em relação a 2015, para R$ 68,1 milhões, com uma rentabilidade de 18,4%, ante 16,3% no ano anterior.

Para este ano, a expectativa do Tribanco é registrar um crescimento da ordem de 5% da carteira de crédito. Mas com os v entos mais fav oráv eis na economia esse número pode subir. “Esperamos que os sinais positiv os desse início de ano se confirmem, é muito ruim ficar olhando apenas para custos”, afirma Rabello.

O banco encerrou dezembro com um saldo de financiamentos de R$ 1,545 bilhão, alta de 1,5% no ano. O resultado foi melhor que a média do sistema financeiro, que apresentou uma retração de 3,5% no crédito. A queda em linhas como capital de giro e conta garantida foi compensada pelo aumento de 16,5% no volume de operações com
cartões no ano passado. O Tribanco possui parceria com mais de 6 mil varejistas para a emissão de cartões que oferecem limites para a compra de produtos nas lojas.

“Em muitos estabelecimentos, nós substituímos a caderneta de fiado que o lojista mantinha e assumimos o risco de crédito”, diz. Os cartões são emitidos no formado “private label”, com o nome do v arejista impresso junto com o do banco. A experiência, diz Rabello, mostra que as lojas emissoras “cuidam melhor” dos clientes, com índices de
inadimplência menores. O plano é aumentar a base dos atuais 7 00 mil para 800 mil unidades no fim deste ano.
A mudança nas regras das linhas do rotativ o promov idas pelo Banco Central não mudou os planos, segundo Rabello. “A queda dos juros na migração do rotativo para o parcelado deve ser compensada pela queda da inadimplência”, afirma. O índice de atrasos acima de 90 dias nas linhas de cartões encerrou o ano em 20,9%, abaixo dos 21,4% de 2015. No crédito a empresas, o índice de calotes caiu de 4,43% para 4,10%.

Os primeiros sinais de melhora da atividade captados pelo Tribanco ainda não consideram a injeção dos recursos na economia com o saque das contas inativas do FGTS. “A entrada dessa massa salarial, mesmo que seja para pagar dívidas, fará com que haja o restabelecimento de crédito para muitos clientes, o que vai impactar no consumo”, afirma. O início de recuperação e o efeito do FGTS dev em dar fôlego à economia até a chegada das vendas de fim do ano, segundo Rabello.

Fonte: Valor Econômico

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